Impacto da instabilidade emocional dos adultos nas crianças
As crianças não precisam de adultos emocionalmente perfeitos, precisam de adultos capazes de reparar, regular e voltar à relação.
A perspicácia das crianças vai muito para além do que aquilo que os adultos percecionam.
Leem o tom de voz, a tensão no corpo, os silêncios longos, as explosões inesperadas, a distância emocional. E mesmo quando não conseguem explicar o que sentem, reagem ao ambiente emocional à volta delas.
O certo é que o estado emocional dos adultos influencia diretamente a forma como as crianças aprendem a regular as próprias emoções. Está provado que a dificuldade dos pais em regular emoções está associada a maior instabilidade emocional nas crianças, dificuldades de autorregulação e respostas emocionais mais intensas.
Além disso, a qualidade da vinculação emocional entre adulto e criança tem impacto profundo no seu desenvolvimento emocional. Crianças com relações mais seguras tendem a desenvolver melhor capacidade de recuperação emocional, maior segurança interna e estratégias mais saudáveis de regulação.
Isto não significa que os adultos tenham de estar sempre bem. Significa apenas que as emoções dos adultos fazem parte do ambiente emocional da criança e têm impacto nela.
E há um ponto importante: as crianças não precisam de grandes episódios para serem afetadas sendo a repetição do clima emocional diário o que mais pesa.
Um erro muito comum é acreditar que proteger a criança significa esconder tudo. Na realidade, as crianças percebem quando algo está errado, e, como nada lhes é contextualizado em prol da proteção, é frequente ficarem sozinhas com aquilo que sentem.
É importante compreender que as emoções em si não são perigosas. A imprevisibilidade emocional constante é que pode tornar-se desorganizadora. Para que tal aconteça é necessário conseguir sentir sem descarregar automaticamente.
-
Parar antes de reagir: pequenos segundos interrompem respostas automáticas
-
Nomear o que se está a sentir: “Estou muito irritada neste momento”
-
Regular o corpo primeiro: respiração mais profunda, beber água, movimentar-se
-
Reduzir estímulos quando possível
-
Aceitar a imperfeição parental
E quando sentimos que a criança foi afetada? Quando se reconhece que se perdeu o controlo, gritou, ficou emocionalmente indisponível ou assustou a criança, é possível reparar.
Não enfraquece a autoridade, mas sim fortalece segurança emocional. Tal pode passar por:
-
reconhecer o que aconteceu;
-
validar o impacto na criança;
-
assumir responsabilidade sem culpar a criança;
-
explicar de forma simples e adequada à idade;
-
mostrar disponibilidade emocional novamente.
As crianças não crescem apenas a partir do que lhes dizemos, mas também a partir daquilo que vivem emocionalmente connosco. E talvez a parentalidade emocionalmente saudável não seja sobre nunca falhar, mas sim reparar e ajustar.
No Movimento Mães Únicas, falamos sobre maternidade sem idealizações: emoções difíceis, culpa, sobrecarga, vínculo e crescimento emocional. Se este tipo de conteúdo te faz sentido subscreve a nossa newsletter:
Movimento Mães Únicas