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Limites: como os estabelecer sem colapsar o sistema familiar

a red off limit sign hanging from a rope

Photo by Glenn Villas on Unsplash

Quando se é o único adulto responsável por uma criança, os limites tornam-se mais complexos. Não há outro progenitor para dividir decisões nem há espaço para recuar e deixar que outro adulto intervenha.

E é precisamente por isso que muitas mães em contexto de monoparentalidade vivem um dilema constante:

Se eu for demasiado exigente, prejudico a relação.
Se eu for demasiado flexível, perco a estrutura.

No meio desta tensão, os limites acabam frequentemente por ser adiados, suavizados ou negociados até ao limite. No entanto, estes não fragilizam necessariamente a relação parental e, quando são consistentes e afetivos, ajudam a fortalecê-la.

A sobrecarga quase inerente à monoparentalidade aumenta os níveis de stress parental e reduz a disponibilidade psicológica para manter consistência educativa. Elevados níveis de stress parental estão muito associados a práticas educativas mais inconsistentes e maior dificuldade na definição de regras estáveis. Além disso, muitas mães relatam sentimentos de culpa relacionados com:

  • menos tempo disponível;

  • separação conjugal;

  • dificuldades económicas;

  • ausência do outro progenitor.

E a culpa influencia decisões. Por vezes, transforma-se numa tendência para compensar através da permissividade.

As crianças precisam de sentir amor, mas também precisam de saber onde estão os limites.

E muitas mães e pais receiam que dizer “não” afaste a criança. Mas, do ponto de vista psicológico, os limites funcionam frequentemente como elementos de previsibilidade e segurança. Quando uma criança sabe o que é esperado dela, quais são as consequências e o que pode ou não fazer, o ambiente torna-se mais previsível. E previsibilidade gera segurança emocional.

A ausência de limites claros pode, paradoxalmente, aumentar ansiedade, conflito e insegurança.

Mas, como estabelecer limites sem entrar em guerra permanente?

1. Escolhe as batalhas importantes

Nem tudo precisa de ser corrigido. Em contextos de elevada exigência parental, a energia é um recurso limitado.

Pergunta-te: Isto é realmente importante para os valores da nossa família? Se a resposta for não, talvez não precise de ser uma batalha.

2. Manter regras consistentes

As crianças adaptam-se melhor a um conjunto reduzido de regras claras do que a muitas regras aplicadas de forma variável. A consistência reduz conflito porque diminui negociação permanente.

3. Explica sem justificar excessivamente

As crianças beneficiam quando compreendem o motivo das regras, mas explicar não significa negociar indefinidamente. Exemplo: “Agora é hora de desligar os ecrãs, porque precisamos de descansar.” Não é necessário entrar numa discussão de 20 minutos para validar a decisão.

4. Tolera o desconforto emocional

Um dos maiores desafios da monoparentalidade é suportar sozinho a reação da criança. Ela pode protestar, chorar ou ficar zangada, mas isso não significa que o limite esteja errado. Muitas vezes significa apenas que o limite está a cumprir a sua função.

5. Repara depois do conflito

Nenhuma mãe mantém sempre a calma. E a verdade é que a segurança emocional não depende da perfeição parental, mas da capacidade de reparar a relação após momentos difíceis. Dizer, por exemplo: “Hoje fiquei demasiado irritada. Não reagi da melhor forma.”

A reparação fortalece a confiança.

Talvez o objetivo não seja criar uma casa sem conflitos, mas sim onde existe estrutura suficiente para atravessar os conflitos sem perder a ligação.

No Movimento Mães Únicas falamos sobre parentalidade sem idealizações. Sobre culpa, exaustão, vínculo, limites e crescimento.

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