Quem somos quando o “nós” deixa de existir?
Há uma questão gritante com a qual muitos se deparam depois de uma separação: “Mas afinal, quem sou eu?”
Não no papel, na logística ou na parentalidade.
Quando uma relação termina, raramente perdemos apenas um parceiro. Perdemos também uma versão de nós mesmas.
A mulher que era desejada. A mulher que se habituou a adaptar desejos, horários, necessidades, silêncios. A mulher que passou anos a existir em função de um “nós”.
E depois da separação tende a restar um certo vazio: o de voltar a conhecer o próprio corpo sem testemunhas.
Há mulheres que sentem o desejo desaparecer durante meses, outras sentem-no explodir de repente. Algumas voltam a estar com alguém demasiado cedo, pois a necessidade de confirmação de que ainda são desejáveis fala mais alto, outras afastam-se completamente da intimidade, porque o corpo já viveu demasiado. E tudo isto é humano.
Muitas mulheres percebem, só depois do fim, que passaram anos desconectadas de si. É desconfortável perceber que, por vezes, chamávamos intimidade à adaptação constante, que confundíamos presença com validação, ou que o desejo só existia quando nos sentíamos escolhidas.
Mas também existe algo profundamente poderoso neste recomeço: a possibilidade de voltar a construir uma relação connosco. Mais honesta e consciente.
Sem pressa para voltar a amar. Sem obrigação de “seguir em frente”.
Não significa voltar a ser quem éramos antes, mas sim descobrir quem somos agora.
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