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Quando o Outro Não Está: Ajudar uma Criança a Lidar com a Ausência do Pai ou da Mãe

Não há como suavizar: a ausência de um progenitor marca.

Não é apenas a falta de um nome na caderneta escolar.

É a ausência de uma referência.

De um colo que não veio.

De uma história que podia ser, mas não foi.

Para mães e pais que criam sozinhos, um dos maiores desafios é ajudar os filhos a fazer sentido do que não faz sentido nenhum:

Por que é que o outro não está?

Porque não vem?

Porque não liga?

Porque é que sou só eu a aparecer?

Este texto não te dá respostas prontas.

Dá-te caminhos. Ferramentas.

E, acima de tudo, lembra-te disto: não és responsável pelo vazio, mas és responsável por não deixar que esse vazio defina o teu filho.


1. Fala com verdade — na medida do que a criança pode ouvir

Não mintas.

Não inventes heróis nem vilões.

Fala com delicadeza, mas com verdade.

“A mãe/pai não está neste momento, mas tu não tens culpa disso. E eu estou aqui. Sempre.”

2. Volta ao tema — sempre que for preciso

Não basta uma conversa.

Os miúdos crescem e voltam a perguntar. De formas diferentes. Com mais consciência. Com mais dor.

Esteja aberta/o ao diálogo, sem pressas, sem fugas.

3. Nunca uses o outro contra a criança — mesmo que o merecesse

Por mais raiva ou frustração que sintas, a criança não tem de carregar esse peso.

Ela precisa de espaço para construir a sua própria narrativa, mesmo quando o outro não colabora.

4. Cria rotinas que seguram — quando quem devia segurar, falha

As rotinas são âncoras.

Mesmo que o outro progenitor falte, a previsibilidade diária dá segurança.

Hora de jantar, banho, brincadeira, histórias. Repetição. Acolhimento. Ritmo.

5. Faz questão de celebrar a vida — mesmo com ausências

Feriados, aniversários, conquistas.

Não ignores.

Cria novas tradições, ajustadas à vossa realidade.

A criança precisa de saber que merece celebração, mesmo sem a “família completa”.

6. Procura ajuda quando sentires que está a ultrapassar-te

Nem sempre conseguimos sozinhos.

Psicólogos infantis, terapeutas familiares, grupos de apoio — há ferramentas que podem ajudar a criança e ajudar-te a ti.

7. Sê presença consistente. Mesmo quando tudo o resto falha.

Uma presença tranquila. Repetida. Segura.

Mesmo cansada. Mesmo falível.

É essa presença que constrói a base onde a criança aprende a confiar.

8. Não carregues sozinho/a — cuida também de ti

Parentalidade única cansa. E muito.

Se te esgotares, não consegues dar presença, nem estrutura.

O teu autocuidado é também uma forma de amor parental.


A ausência do outro deixa marcas, mas não precisa de deixar feridas abertas.

Com amor, verdade e estrutura, é possível criar filhos emocionalmente saudáveis — mesmo quando falta uma peça no puzzle.

Lembra-te: não estás a tapar buracos. Estás a construir alicerces.

E isso muda tudo.