Reconstrução da carreira após interrupção por maternidade
Para muitas mães, o regresso profissional não gera apenas dúvidas práticas e faz também surgir sentimentos de insegurança, sensação de atraso em relação aos outros, dificuldade em reconhecer o próprio valor e mesmo medo de desatualização.
Especialmente em contextos de monoparentalidade, onde o peso financeiro e emocional do recomeço pode ser ainda maior.
A maternidade continua associada, em muitos contextos, a penalizações na progressão profissional. A este fenómeno chamamos de motherhood penalty: menor progressão salarial, menos oportunidades e perceções de menor disponibilidade profissional após a maternidade.
No entanto, interromper uma carreira não significa interromper desenvolvimento humano. Nesta nova etapa da maternidade, muitas mulheres desenvolvem uma maior capacidade de gestão de crise, adaptação, organização, resistência emocional e tomada rápida de decisão.
Competências reais, mesmo que raramente sejam reconhecidas dessa forma.
Uma das maiores dificuldades no regresso profissional é mental, e baseia-se na sensação de que, enquanto outras pessoas parecem ter continuado a crescer linearmente, nós ficamos estagnadas.
A verdade é que é irrealista tentar voltar exatamente à versão profissional anterior. A maternidade transforma prioridades, disponibilidade, identidade e necessidades pessoais. E isso não precisa de ser visto como perda, mas uma mera reorganização.
Reconstruir carreira não é começar do zero, mas sim recuperar a sensação de competência. Pequenos movimentos contam:
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retomar contactos profissionais;
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explorar novas áreas;
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fazer formação de que promova o desenvolvimento de competências e conhecimentos.
A confiança não regressa apenas com tempo. Constrói-se através de experiências progressivas de capacidade.
No entanto, muitas mães vivem uma tensão constante: “Se invisto na carreira, estou a falhar enquanto mãe. Se abdico da carreira, estou a desaparecer de mim própria.”
Mas talvez a questão não seja escolher entre maternidade e identidade profissional, mas sim encontrar uma forma sustentável de coexistência entre ambas.
Talvez a parte mais difícil deste processo seja fazê-lo sozinha.
Quando estamos constantemente a gerir responsabilidades, dúvidas e decisões, é fácil acreditar que somos as únicas a sentir esta insegurança. Mas não somos.
É precisamente por isso que existe o Movimento Mães Únicas.
Um espaço onde falamos de maternidade sem romantizações, mas também de identidade, carreira, autoestima, exaustão emocional e reconstrução pessoal. Um espaço para encontrar ferramentas e histórias que ajudam a recuperar a confiança nas próprias capacidades e a avançar nesta nova etapa da vida.
A maternidade pode interromper trajetórias, mas também pode aprofundar competências humanas, capacidade de adaptação e clareza sobre prioridades.
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Até breve,
