Dia da Mãe. Para Quem Ama Com Uma Só Mão Cheia.
Hoje é Dia da Mãe. Mas este não é mais um post florido, nem um bolo decorado com açúcar cor-de-rosa.
Hoje escrevemos para ti.
Que levas os filhos ao colo — sozinha.
Que ris ao espelho para que eles não vejam as noites em que adormeces sem chão.
Que corres para o trabalho, depois para a creche, depois para o supermercado — e depois ainda fazes sopa.
Hoje escrevemos para ti.
Que nunca tiveste quem dividisse o susto de uma febre ou o silêncio de uma ecografia.
Que foste julgada antes sequer de teres sido ouvida.
Que aprendeste a escrever a palavra “família” com a tua própria letra.
Ser mãe única não é ser metade de nada.
É ser o dobro — da coragem, da entrega, da presença.
É tomar todas as decisões com o coração e com a razão exausta.
É segurar todas as pontas. Até as que não se vêem.
É amar por dois, educar por dois, cuidar por dois — e ainda assim, duvidar de ti mesma.
Hoje é Dia da Mãe, mas podíamos dizer que é o teu dia todos os dias.
Porque a tua jornada não tem feriados.
Não tem fins-de-semana alternados.
Não tem férias marcadas com ajuda do outro lado.
Hoje, celebramos:
– As mães que acordam de madrugada para não falhar no trabalho nem no colo.
– As mães que choram no carro antes de entrar na reunião.
– As mães que trocam as suas dores por histórias de embalar.
– As mães que não têm sogra, nem guarda partilhada, nem tribunal que legitime o que fazem há anos.
E também celebramos o que resiste:
A força silenciosa.
A beleza cansada.
O sentido de humor como escudo.
A dignidade com que ensinas os teus filhos a nunca baixar os olhos — mesmo quando faltam coisas.
Talvez ninguém te tenha dito isto hoje: estás a fazer o impossível. E estás a fazê-lo bem.
Não perfeita. Não sem falhas.
Mas com o coração inteiro. E isso basta.
Hoje, o nosso abraço vai para ti — mãe sem rede, mãe sem par, mãe sem plano B.
Porque és tu quem transforma uma casa num lar.
És tu quem transforma o medo em colo.
És tu quem transforma a ausência em amor que fica.
Feliz Dia da Mãe.
Não és metade. És uma mulher inteira.
Uma mãe única.
E isso muda tudo.

