Violência no Trabalho: Assédio Moral e Sexual — Como Denunciar e Quem Pode Ajudar
Há violência que não deixa nódoas negras.
Mas corrói. Silencia. Isola.
O assédio moral e o assédio sexual no trabalho são formas de violência.
E se és mãe sozinha, com medo de perder o emprego, com contas a pagar e filhos a alimentar, o risco de te calares é maior.
Mas também é maior o teu direito à proteção.
Este artigo explica o que fazer, quem contactar e como te proteger — legal e emocionalmente.
O que é assédio no trabalho?
Assédio moral é qualquer comportamento que humilha, isola, inferioriza ou persegue uma pessoa de forma continuada, com impacto na sua dignidade, saúde mental ou desempenho. Pode incluir:
- Gritos, insultos, ameaças
- Isolamento ou exclusão deliberada
- Críticas constantes, desproporcionadas ou sem fundamento
- Tarefas humilhantes ou inúteis
- Pressão para desistir do posto de trabalho
Assédio sexual é qualquer comportamento de cariz sexual não consentido, com impacto ofensivo, intimidatório ou degradante. Pode manifestar-se através de:
- Comentários ou insinuações de teor sexual
- Toques indesejados
- Propostas sexuais com base hierárquica ou de poder
- Condicionamento de carreira em troca de favores sexuais
Ambas as formas de assédio são proibidas por lei em Portugal e constituem fundamento para denúncia, processo disciplinar e ação judicial.
O que diz a lei?
Segundo o Código do Trabalho (Art. 29.º):
“É proibido o assédio, entendido como o comportamento indesejado com o objetivo ou efeito de perturbar ou constranger a pessoa, de afetar a sua dignidade ou de criar um ambiente hostil, degradante, humilhante ou desestabilizador.”
O assédio constitui contraordenação muito grave e pode dar origem a:
- Multa para a entidade empregadora
- Indemnização à vítima
- Rescisão com justa causa por parte da vítima
- Processo judicial civil ou criminal, se aplicável
O que deves fazer
- Recolhe provas
- Guarda e-mails, mensagens, gravações (quando legalmente permitido)
- Faz um registo escrito dos episódios: datas, horas, local, testemunhas
- Informa a entidade empregadora
- Entrega uma queixa escrita à Direção de Recursos Humanos ou responsável hierárquico
- Guarda cópia assinada e datada da entrega
- Liga para a linha de apoio especializada
800 204 684 – Linha CITE (Assédio Sexual e Moral no Trabalho)
- Horário: Segunda a sexta, das 14h30 às 17h
- Serviço gratuito e confidencial
- Prestado pela Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego
- Orientação jurídica e institucional
800 202 148 – Linha de Apoio a Vítimas de Violência Doméstica e de Género (CIG)
- 24h, gratuita, confidencial
- Aconselhamento jurídico e psicológico
- Esclarece sobre o enquadramento legal e pode encaminhar para entidades de apoio
E se tiver receio de represálias?
A lei protege quem denuncia.
A vítima de assédio não pode ser penalizada, despedida ou prejudicada por exercer o seu direito à denúncia.
Se isso acontecer, pode recorrer à CITE, ao ACT (Autoridade para as Condições do Trabalho) ou ao tribunal.
Apoio psicológico e jurídico gratuito
Podes pedir:
- Apoio jurídico gratuito através da Segurança Social
- Acompanhamento psicológico no centro de saúde ou em organizações como a APAV
- Encaminhamento social se a situação afetar o teu rendimento, habitação ou parentalidade
Consulta o nosso artigo:
Apoio Jurídico Gratuito: O Que Mães Únicas Precisam de Saber
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Se estás a viver uma situação de violência laboral, não tens de enfrentá-la sozinha.
Podemos ajudar-te a organizar o teu processo, contactar as linhas certas, e garantir que os teus direitos são respeitados.
Acede a:
e inscreve-te para receber orientação especializada e apoio emocional gratuito.
Assédio não é parte do trabalho.
É crime. E tem resposta.
Falar não destrói a tua carreira — defende a tua dignidade.
12 de Julho, 2023
