Tenho Medo de Denunciar: O Que Acontece Depois de Ligar a Uma Linha de Apoio?
Denunciar violência doméstica é um acto de coragem. Mas também é, para muitas mulheres, uma fonte de medo.
Medo de não ser ouvida.
Medo de não ser levada a sério.
Medo de ser julgada.
Medo de que tudo piore.
Medo de não saber o que acontece a seguir.
Este artigo existe para desfazer esse medo com informação.
Ligar a uma linha de apoio não é fazer uma queixa formal — é pedir escuta, orientação e proteção.
E o que acontece depois é acompanhado, seguro e sigiloso.
1. Quem atende quando ligas?
Profissionais especializados: psicólogas, juristas, técnicas de apoio à vítima.
São formadas para:
- Escutar sem julgar
- Garantir confidencialidade
- Avaliar risco
- Propor soluções ajustadas ao teu caso
Ninguém te vai forçar a denunciar.
O controlo deixa de estar do lado do agressor — passa a estar do teu.
2. O que te vão perguntar?
Poderás ser convidada a partilhar, com calma:
- O que está a acontecer ou aconteceu
- Quem é o agressor (relação contigo)
- Se tens filhos contigo
- Onde estás e se estás em segurança
- Se há armas, ameaças, episódios anteriores
- Se queres ajuda imediata, orientação legal ou só conversar
Podes permanecer anónima.
Se não quiseres dizer o teu nome ou morada, não tens de o fazer.
A linha serve para informar e apoiar — não para recolher dados.
3. E depois?
Depois de te ouvirem, as profissionais:
- Ajudam-te a perceber o que estás a viver (nomeiam a violência)
- Explicam-te os teus direitos
- Orientam-te quanto a medidas de proteção disponíveis
- Encaminham-te para serviços locais de apoio, se quiseres
- Ajudam-te a construir um plano de segurança
Nada é decidido sem ti.
Tu escolhes o que queres fazer a seguir.
4. E se eu quiser denunciar?
Se, e só se, decidires avançar com denúncia formal:
- Serás informada sobre os teus direitos legais
- Serás apoiada na apresentação da queixa
- O Ministério Público poderá iniciar um processo (violência doméstica é crime público)
- Serão avaliadas medidas de proteção: proibição de contacto, afastamento do agressor, pulseira eletrónica
- Terás acesso a apoio jurídico gratuito, se necessário
Mas a chamada em si não equivale a apresentar queixa.
Serve para preparar, informar e proteger — sem pressão.
5. Linhas seguras e confidenciais a que podes ligar
| Linha | Contacto | Horário |
|---|---|---|
| APAV – Linha de Apoio à Vítima | 116 006 | Dias úteis, 9h00 – 21h00 |
| CIG – Serviço de Informação às Vítimas de Violência Doméstica | 800 202 148 | 24h |
| Linha de Emergência Social (Segurança Social) | 144 | 24h |
Todas são gratuitas e não ficam registadas na fatura telefónica.
6. E se eu não puder ligar?
Podes:
- Enviar um SMS com a palavra “AJUDA” para o 3060 Vais receber resposta automática com orientações e contactos Apaga a mensagem depois
- Usar o chat online da APAV Acesso via www.apav.pt Atendimento seguro e confidencial
7. E se tiver filhos?
Se estás a viver violência e tens filhos a cargo:
- As linhas vão orientar-te para casas-abrigo seguras onde possam ficar juntos
- O Ministério Público pode atuar para proteger as crianças
- A tua denúncia pode prevenir danos graves ou irreversíveis para os teus filhos
8. A quem mais posso recorrer?
O Movimento MÃES ÚNICAS disponibiliza recursos e orientação gratuitos para mães em situação de risco.
Não substituímos os serviços especializados — mas ajudamos-te a chegar até eles com segurança.
Acede a:
e inscreve-te para receber apoio emocional, jurídico e prático. De forma segura. Sem julgamento.
Ligar não é denunciar.
É informar-te, proteger-te, recuperar o controlo.
E nunca mais ter de perguntar se mereces estar em paz.
12 de Julho, 2023
