Para Quem Está a Ajudar: Como Acompanhar uma Amiga ou Familiar em Situação de Violência

Ela diz que está tudo bem, mas o olhar não mente.

Muda de assunto. Evita perguntas. Falta ao trabalho. Está mais calada. Já não ri.

Tu sabes. E queres ajudar. Mas não sabes como.

Este artigo é para ti — que não ficas indiferente. Que pressentes que há violência, mesmo quando não há marcas visíveis. Que queres proteger sem invadir. Ouvir sem julgar. Agir sem pôr em risco.

Ajudar uma mulher em situação de violência é uma responsabilidade. Mas exige sensibilidade, preparação e consciência dos limites.


1. O que deves fazer

Escuta ativa

– Ouve com atenção, sem interromper, sem pressionar para relatar tudo.

– Valida o que ela sente: “O que estás a sentir faz sentido.”

– Evita frases como “sai já daí” ou “isso é só drama”. Ela precisa de apoio, não de ordens.

Disponibilidade emocional e prática

– Oferece-te para acompanhar a consultas, tribunal, segurança social.

– Ajuda com as crianças, se confiares e houver consentimento.

– Garante que ela sabe que pode ligar-te a qualquer hora.

Confidencialidade absoluta

– Nunca partilhes a situação com outras pessoas, mesmo com boas intenções.

– A violação da confiança pode colocar a vítima em maior risco.

Encaminhamento seguro

– Informa-a das linhas disponíveis (ver abaixo).

– Sugere recursos como casas-abrigo ou aconselhamento jurídico.

– Se necessário, ajuda-a a ligar — mas não forces.


2. O que NÃO deves fazer

  • Não julgues (“porque ficaste tanto tempo?”, “como é que deixaste chegar a esse ponto?”)
  • Não assumes controlo da situação (“vou falar com ele”, “vou resolver isto por ti”)
  • Não prometas soluções que não podes cumprir (“vais ficar a viver em minha casa para sempre”)
  • Não fales com o agressor — isso pode colocar-te e colocá-la em risco

3. Como identificar que pode estar a ser vítima

  • Isolamento súbito de amigos e família
  • Medo visível ao falar do companheiro
  • Mudança no comportamento dos filhos
  • Contusões ou feridas frequentes com desculpas vagas
  • Controlo financeiro, telefónico ou emocional por parte do agressor

Mesmo que ela negue ou desvalorize, ouve o que não está a ser dito.

E nunca trivializes os sinais.


4. Linhas de apoio direto

ServiçoContactoDisponibilidade
Linha de Informação às Vítimas (CIG)800 202 14824h
Linha Emergência Social (Segurança Social)14424h
Linha de Apoio à Vítima (APAV)116 006Dias úteis, 9h-21h
SMS de EmergênciaEnviar “AJUDA” para 306024h
Emergência Nacional11224h

Estas linhas são gratuitas, confidenciais e podem fazer a diferença entre perigo e proteção.

Se a tua amiga ou familiar não conseguir ligar, oferece-te para estar presente. Ou, com consentimento, faz tu a chamada e recolhe orientações.


5. E se houver crianças?

As crianças que presenciam ou vivem em ambientes de violência são vítimas também.

Podes incentivar a mãe a pedir apoio específico e confidencial — como casas-abrigo com acolhimento familiar ou o contacto com o Ministério Público.


6. O que fazer em caso de emergência

Se souberes ou testemunhares uma situação de violência iminente:

  • Liga 112 imediatamente
  • Dá a morada exata, descrição do agressor e indica que há crianças, se for o caso
  • Não tentes intervir diretamente — a prioridade é a segurança

O Movimento MÃES ÚNICAS também está aqui para quem apoia

Se estás a tentar ajudar alguém, mas te sentes impotente, confusa ou em risco, também precisas de apoio.

Encontra orientação ética, segura e concreta para saber o que fazer:


Quem ajuda precisa de saber como.

Porque ajudar sem pôr em risco é uma arte — e uma responsabilidade.

Fica. Escuta. Informa. Acompanha.

Mas nunca sozinha

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