Fui Discriminada no Trabalho por Ser Mãe: Como Denunciar e Quem Pode Ajudar
Ser mãe nunca deveria significar perder oportunidades, ser preterida numa promoção ou despedida sem motivo justo. Mas, na realidade, muitas mães únicas enfrentam discriminação explícita ou subtil no local de trabalho — e não sabem como reagir.
Este artigo explica, com clareza e rigor, o que é discriminação parental, como a identificar, que entidades podem ajudar e como denunciar com segurança.
1. O que é discriminação parental?
É qualquer tratamento desigual, penalizador ou injusto baseado no facto de se ser mãe, especialmente com filhos a cargo.
Pode manifestar-se de várias formas:
- Recusa de emprego ou renovação de contrato por causa da maternidade
- Redução injustificada de funções, salário ou responsabilidades
- Comentários depreciativos sobre o facto de se ter filhos
- Recusa de horários flexíveis legalmente previstos
- Impedimento de exercer licenças parentais
- Despedimento durante ou após a licença de maternidade/paternidade
- Exclusão de formações, promoções ou benefícios internos
2. É assédio ou discriminação?
Discriminação acontece quando a mãe é tratada de forma desigual ou prejudicial por ser mãe.
Assédio moral é um comportamento repetido, ofensivo ou humilhante que afeta a dignidade da trabalhadora, podendo agravar-se em contextos de maternidade.
Ambos são proibidos por lei e podem ser denunciados.
3. O que diz a lei?
O Código do Trabalho, nos seus artigos 24.º a 65.º, proíbe expressamente qualquer forma de discriminação em função da parentalidade.
A Constituição da República Portuguesa também garante, no seu artigo 59.º, o direito à conciliação da vida profissional e familiar, bem como à proteção na maternidade.
O despedimento de uma trabalhadora grávida, puérpera ou lactante, sem autorização prévia da CITE, é ilegal e nulo.
4. O que fazer se acontecer?
a) Documenta tudo
- Regista datas, conversas, e-mails ou mensagens
- Anota testemunhas, horários e locais
- Guarda cópias de comunicações e alterações contratuais
b) Denuncia a situação
Tens direito a apresentar queixa, mesmo sem advogado/a. Eis quem pode ajudar:
| Entidade | Contacto | Apoio prestado |
|---|---|---|
| CITE – Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego | 800 204 684 | Queixas por discriminação e despedimento ilegal |
| ACT – Autoridade para as Condições do Trabalho | www.act.gov.pt | Queixas laborais, inspeções e mediação |
| Linha Violência no Trabalho | 800 204 684 | Informação sobre assédio moral e sexual |
| Apoio Jurídico Gratuito | Segurança Social local | Nomeação de advogado/a pro bono |
c) Solicita apoio jurídico
Se não tens meios para contratar um/a advogado/a, tens direito a proteção jurídica gratuita. Pede na tua Segurança Social com os documentos comprovativos do teu rendimento.
5. O que não deves aceitar
- Ser pressionada a sair “por vontade própria”
- Ouvir que és “menos produtiva” por teres filhos
- Ser ameaçada com cortes, despedimento ou exclusão por estares de licença
- Aceitar mudanças unilaterais no teu contrato
Tudo isto é ilegal. E quanto mais cedo denunciares, mais protegida estarás.
6. Como agir com segurança
- Evita confrontos diretos em momentos de tensão
- Fala com colegas de confiança e procura apoio emocional
- Contacta associações especializadas ou grupos como o Movimento MÃES ÚNICAS
- Conhece os teus direitos antes de assinar qualquer documento
7. Apoio contínuo do Movimento MÃES ÚNICAS
Se estás a viver uma situação de discriminação laboral e não sabes por onde começar, o Movimento MÃES ÚNICAS pode ajudar-te a:
- Esclarecer os teus direitos
- Acompanhar o processo de queixa
- Indicar apoio jurídico gratuito
- Orientar-te emocionalmente durante o processo
Acede aos nossos recursos gratuitos:
Não te cales. Não estás sozinha. E não és menos profissional por seres mãe.
7 de Maio, 2025
