A Minha Filha Está a Ser Vítima de Violência no Namoro: O Que Fazer e Quem Contactar

Há perguntas que cortam o chão a uma mãe:

“Ela não me diz, mas eu vejo.

Ele controla tudo.

Ela chora, isola-se, tem medo de o contrariar.

Como é que falo com ela? Como a protejo sem a perder?”

Este artigo não tem respostas fáceis.

Mas tem informação clara, legalmente fundamentada e orientada para a proteção da tua filha — e para a tua coragem enquanto mãe.


O que é violência no namoro?

Violência no namoro é qualquer forma de abuso físico, psicológico, sexual, social ou digital entre jovens com uma relação amorosa ou íntima, com ou sem convivência.

Pode incluir:

  • Insultos, humilhações, manipulação emocional
  • Ameaças, chantagem, isolamento
  • Controlo de roupa, redes sociais, amizades
  • Pressão sexual ou física
  • Agressões físicas, puxões, empurrões
  • Vigilância e perseguição

Mesmo que ainda não haja contacto físico, o controlo emocional já é violência.


Porque é que ela não fala?

Porque tem medo.

Porque se culpa.

Porque acha que é normal.

Porque está a viver a sua primeira relação e não tem referências saudáveis.

Adolescentes vítimas de violência no namoro demoram, em média, mais tempo a reconhecer o abuso do que mulheres adultas.

Precisam de apoio sem julgamento — e de proteção antes de estarem prontas para pedir.


O que podes fazer como mãe?

  1. Escutar sem interromper Não desvalorizes. Não trivializes. Escuta até ao fim. Frases como “não aceito que fales assim” ou “isso é grave e não é normal” validam o sofrimento.
  2. Nomear o que vês Explica que o ciúme doentio, o controlo e o medo não são amor.
  3. Oferecer apoio sem pressionar Não forces uma denúncia se ela ainda não está pronta. Mas mostra que estás disponível, incondicionalmente.
  4. Contactar linhas de apoio especializadas Podes ligar tu — ou incentivar a tua filha a fazê-lo. Mesmo sem se identificar.

Linhas que podes e deves contactar

ServiçoContactoPúblico-Alvo
SOS Criança116 111Adolescentes e crianças até aos 18 anos
APAV – Linha de Apoio à Vítima116 006Público geral
CIG – Violência Doméstica800 202 14824h, confidencial e gratuito

Todas as linhas são gratuitas, discretas e atendidas por profissionais com experiência em violência juvenil.


E se ela tiver menos de 18 anos?

A lei considera violência no namoro entre menores como violência doméstica, e protege as vítimas como tal.

O Ministério Público pode intervir.

A escola pode ser acionada.

Os serviços de proteção à infância (CPCJ) podem ser contactados se houver risco para a segurança, saúde ou desenvolvimento da adolescente.


A escola tem responsabilidades?

Sim.

A escola deve intervir sempre que identifique indícios de violência no namoro:

  • Garantir apoio psicológico
  • Comunicar às entidades competentes, se necessário
  • Envolver a família, quando apropriado

Podes solicitar à direção da escola uma reunião urgente de avaliação da situação.

Podes também propor o envolvimento da psicóloga escolar, sem expor todos os detalhes.


O que acontece se for apresentada uma denúncia?

Se a jovem ou a mãe formalizarem uma denúncia:

  • O Ministério Público pode abrir um inquérito
  • A adolescente será ouvida com apoio psicológico
  • O agressor poderá ser sujeito a medidas cautelares
  • Poderá haver acompanhamento contínuo por técnicos especializados

O objetivo não é punição imediata, mas proteção e consciencialização.


Apoio psicológico especializado

Algumas entidades com serviços de apoio psicológico para jovens vítimas:

  • APAV Jovem – acompanhamento gratuito
  • UMAR – Projeto Artémis
  • Casa Qui – apoio a jovens LGBTQIA+
  • SOS Criança – escuta ativa e encaminhamento
  • Rede de psicólogos escolares e centros de saúde

O Movimento MÃES ÚNICAS pode ajudar?

Sim.

Se és mãe única e sentes que a tua filha está em risco, não fiques sozinha com esse peso.

Acede a:

e inscreve-te para receber recursos, contactos e orientação emocional e jurídica.


Tua filha merece aprender o que é amor sem medo.

E tu mereces apoio para a proteger.

Não estás sozinha.

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